O que cada empresa faz de verdade — Google, Apple, Meta, bancos — e o que a família consegue resolver sozinha.
Uma pessoa morre e deixa, em média, mais de cem contas online. E-mail, banco, redes sociais, streaming, a nuvem com as fotos de vinte anos. A família descobre rápido que não tem a senha de nenhuma — e descobre devagar que cada empresa tem uma regra diferente, escrita para se proteger, não para ajudar.
Este texto é o mapa que ninguém entrega no velório.
Nenhuma plataforma libera nada sem os mesmos três documentos:
Providencie isso primeiro. Sem esses três, todo o resto para no primeiro formulário.
O Google tem o Gerenciador de Contas Inativas. Se a pessoa configurou, ela escolheu quem seria avisado depois de um período sem uso — 3, 6, 12 ou 18 meses — e o que essa pessoa poderia baixar. Funciona bem, e quase ninguém configura.
Se não configurou, a família pode pedir acesso, mas o Google avisa desde o começo que pode recusar, e frequentemente recusa. A análise leva meses.
O que a família pode conseguir: conteúdo do Gmail, Drive e Fotos. O que quase nunca consegue: a senha. O Google entrega dados, não a conta.
Duas saídas, e elas se excluem:
Transformar em memorial. A conta fica no ar com "Em memória de" antes do nome. Não aparece em sugestões de amizade nem em lembretes de aniversário. Ninguém entra nela. Se a pessoa nomeou um contato herdeiro em vida, esse contato pode fixar publicações e responder pedidos de amizade — mas não lê mensagens privadas. Nunca.
Excluir. Some tudo. Só um familiar direto consegue, com certidão de óbito.
As mensagens do Messenger e do Instagram não são entregues em nenhuma das duas hipóteses. A Meta trata conversa privada como pertencente também à outra pessoa da conversa, que continua viva.