Papel na gaveta, bloco de notas, e-mail para si mesmo: por que cada jeito comum falha, e o que funciona.
Você já pensou em escrever suas senhas num papel e guardar na gaveta. Talvez até tenha escrito. E sabe que é ruim, mas não sabe qual é a alternativa que não seja pior.
Este texto separa as duas coisas que costumam se confundir: guardar senha e entregar senha. São problemas diferentes, e a maioria das soluções resolve só um.
Falha de três formas. Fica desatualizado no primeiro mês — você troca a senha do banco e não volta na gaveta. Quem acha o papel tem tudo, incluindo quem entra na sua casa. E some: papel guardado por dez anos sem ninguém olhar não está mais lá quando alguém procura.
O celular está desbloqueado na sua mão o dia inteiro. E no dia em que você não estiver, ninguém sabe o código de desbloqueio — então o arquivo com todas as senhas fica trancado atrás de uma senha que também ninguém tem.
Põe todas as senhas dentro da conta que é a chave de recuperação de todas as outras. Quem entrar no seu e-mail não precisa mais adivinhar nada.
Melhor que os anteriores em disponibilidade, pior em exposição: a pessoa com quem você compartilhou tem acesso agora, não quando for preciso. E o Google lê o conteúdo.
Se ela morrer junto com você — acidente, viagem, o mesmo carro — ninguém sabe. E se vocês brigarem, ela continua sabendo.
Qualquer método precisa responder as duas:
Bitwarden, 1Password e alguns outros têm acesso de emergência: você nomeia alguém, e essa pessoa pode pedir acesso. Você recebe um aviso e tem um prazo — costuma ser de alguns dias — para recusar. Se você não responder, o acesso é liberado.
É a melhor solução gratuita para senhas, e resolve as duas perguntas: a pessoa não lê agora, e a espera com aviso protege contra pedido indevido.
O que ele não resolve: qualquer coisa que não seja senha. Onde está a apólice, o que fazer com o negócio, o que você quer dizer a cada pessoa.